esta quarta-feira (09-12-2009), uma manifestação pelo impeachment do governo do DF foi reprimida de forma violenta pela polícia.
Em Brasília, o Tribunal Superior Eleitoral deve julgar hoje se suspende ou não o processo de expulsão do governador José Roberto Arruda do partido Democratas. O pedido de liminar veio depois de um dia tumultuado e de muita violência nas ruas.
Para muitos, houve exagero por parte da polícia. Uma reação que teria sido desproporcional ao protesto de estudantes e sindicalistas, que pediam a renúncia do governador José Roberto Arruda. Já para a polícia, que usou cavalos, cassetetes, spray de pimenta e gás lacrimogênio, a ação foi perfeita.
O protesto tinha parado o trânsito em uma das principais avenidas da cidade. Um homem foi arrastado para não ser pisoteado.
“Acho que é uma volta da violência policial contra a manifestação democrática. Esta violência policial tem que ser devidamente investigada pelas corregedorias específicas”, defende a subsecretária nacional de direitos humanos Carmen Oliveira.
Imagens feitas por um cinegrafista amador mostram um manifestante enfrentando sozinho a Polícia Montada. O Batalhão de Choque lançou bombas de gás lacrimogêneo e tiros de borracha Do alto, um policial armado acompanhava a operação.
“A ação foi perfeita. O que vocês podem ter certeza é que a polícia só vai usar a força na medida e na proporção da reação dos manifestantes”, garante o coronel Silva Filho, da Polícia Militar/DF.
“Totalmente desproporcional. Onde já se viu usar cavalaria, espada, cassetete contra grupos de estudantes e trabalhadores?”, questiona Jomar Moreno, da comissão de direitos humanos da OAB.
O protesto pedia o impeachment de José Roberto Arruda, que estava bem longe, na residência oficial. O governador do Distrito Federal quer ficar no governo e se manter no Democratas. Ele entrou com um recurso no Tribunal Superior Eleitoral para que seja suspenso o processo de expulsão. No mandado de segurança, Arruda argumenta que não teve amplo direito de defesa.
“Seguimos todos os ritos internos. Não temos dúvida nenhuma, o partido está calçado juridicamente para poder tomar a decisão que deva ser tomada na sexta-feira”, diz o presidente do Democratas Rodrigo Maia.
José Roberto Arruda é suspeito de fazer parte de um suposto esquema de distribuição de propina. Um projeto encaminhado ontem pelo presidente Lula ao Congresso torna mais rigorosa a punição para governadores e autoridades condenadas por crimes de corrupção, que passariam a ser hediondos.
“A corrupção é uma coisa difícil de descobrir. Às vezes, o corrupto é o cara que tem a cara mais de anjo, é aquele cara que mais fala contra a corrupção, é aquele cara que mais denuncia, porque ele acha que ele não vai ser pego”, comenta o presidente Lula.
Segundo a Polícia Militar,1,5 mil pessoas participaram do protesto. Três manifestantes foram presos - por atirar pedras nos policiais e por desacato. Ninguém ficou ferido com gravidade.
A Câmara Legislativa criou a CPI da Corrupção para investigar todos os governos do Distrito Federal desde 1991, dos últimos 19 anos.
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