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Publicação: 18/06/2009

Propostas de combate às drogas e a problemática envolvendo a juventude foram discutidas em Araxá



Cerca de 50,5 milhões de jovens, ou seja, ¼ da população são de 15 a 29 anos de idade. Dados de 2007 do IBGE revelam que quase a metade dos desempregados do país são jovens. Além disso, toda a problemática que envolve o universo da juventude, incluindo transformações profundas nas famílias; motivações escolares e profissionais, como a falta de oportunidades e qualificações; e principalmente a violência advinda do uso de bebidas alcoólicas e drogas foram discutidas em Audiência Pública realizada pela Comissão Extraordinária de Políticas Públicas de Enfrentamento à AIDS, às DSTs, ao Alcoolismo, às Drogas e Entorpecentes da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, coordenada pelo deputado estadual Fahim Sawan (PSDB), nesta terça-feira (16/6/09), em Araxá.

O envolvimento das famílias na educação de crianças e adolescentes, ação em rede de todos os segmentos envolvidos no tratamento de dependentes químicos e na prevenção ao consumo de drogas e mais oportunidades de ocupação e lazer para os jovens foram algumas das propostas defendidas durante audiência da Comissão, também integrada pelos deputados estaduais Célio Moreira (PSDB) e Rosângela Reis (PV).

Antes do início da Audiência Pública, o Superintendente de Reinserção do Jovem, Cleiton Dutra, da Coordenadoria Especial da Juventude, da Secretaria de Estado de Esportes e da Juventude, falou sobre a importância do encontro e sobre as ações de fomento à criação de Conselhos Municipais de Juventude. Ele explicou também a importância do governador Aécio Neves ter sancionado a Lei 18.136/09, (Lei da Juventude), em 14 maio 2009. Esta lei estabelece diretrizes para a promoção do desenvolvimento integral dos jovens nos aspectos humano, familiar, social, educacional e econômico, com prioridades definidas para os próximos dez anos.

Afinal, dados do PNAD revelam que 11,7 milhões de jovens vivem em famílias que não tem condições para satisfazer suas necessidades básicas. E 45 milhões de jovens não trabalham nem estudam.



Críticas ao Governo Federal por não ter levado a efeito o programa Primeiro Emprego e alertas para que os pais se envolvam mais na educação dos filhos marcaram a fala de convidados para esta que foi a primeira reunião no interior realizada pela comissão, que estará levando o mesmo debate às outras 11 macrorregiões do Estado para fazer um diagnóstico da situação em Minas e levantar propostas de ações públicas para o enfrentamento do consumo de drogas, alcoolismo, AIDS e DSTs.

Na presença de vereadores, prefeitos, representantes dos setores da educação e da saúde, de ONGs e da comunidade das regiões do Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro, o coordenador da comissão, deputado Fahim Sawan (PSDB), expôs os objetivos do trabalho dos deputados ao fazer um apelo para que todos os setores da sociedade se envolvam no enfrentamento da questão.

"Essa não pode ser uma luta de poucos ou uma ação governamental de cima para baixo. As regiões têm que se organizar", defendeu ele, alertando que, se até pouco tempo atrás o álcool era a porta de entrada do jovem no mundo das drogas, hoje o crack tem assumido cada vez mais esse papel, e numa faixa etária cada vez menor. "Além de barata, é uma droga perigosa, destruidora e perversa", disse o deputado Fahim Sawan, defendendo a criação de Conselhos da Juventude e Antidrogas em todos os municípios mineiros. Ele informou aos representantes dos vários municípios presentes à região que uma vez criados esses conselhos, há recursos disponíveis dos governos Federal e Estadual.

Prevenção

A psicóloga Ana Carolina Porto Machado, que atua na Fazendinha Comunidade Terapêutica, entidade de Araxá que atua com AIDS, DSTs e drogas, endossou a preocupação do deputado Fahim Sawan ao revelar que a instituição possui 70 internos, todos do sexo masculino. A maioria, segundo informou, está em tratamento por dependência do crack. Há 17 anos, quando foi criada a unidade, o álcool era de longe a maior causa de dependência.

Ana Carolina reforçou a prevenção como o foco principal a ser adotado pelas políticas públicas diante das dificuldades de se levar um tratamento com êxito até o fim, em se tratando, sobretudo, do crack. Segundo ela, a Fazendinha, que atua também junto às famílias dos pacientes, recebe a cada semana de sete a dez novos internos. "Isto porque o rodízio é enorme. Um tratamento dura em torno de nove meses. São raros os casos de quem completa esse tempo ou atinge a recuperação depois".

Ela alertou ainda para o problema que envolve os co-dependentes, aquelas pessoas que convivem com o dependente, muitas vezes chegando ao fundo do poço antes deste, mas que não podem ser internadas ou mostrar fragilidade, pois são o sustento da casa. "Essa é uma realidade social grave, pois sabe-se que cada dependente atinge 30 pessoas à sua volta".

Tráfico

Definindo a comissão da qual também faz parte como a comissão da vida, o deputado Célio Moreira (PSDB) disse ser preciso discutir o problema e cobrar políticas públicas eficientes. "Mas além do governo, toda a sociedade precisa se envolver, sobretudo as famílias", pontuou o parlamentar.

Célio Moreira defendeu mais diálogo e convivência entre pais e filhos e o resgate da família, alertando que o tráfico está recrutando meninos cada vez mais novos. Ele comentou também que a incidência de casos de AIDS aumentou assustadoramente na faixa etária de 14 a 29 anos e bateu recorde na faixa entre 50 e 65 anos. Por isso, criticou a realização de campanhas de prevenção apenas no carnaval e voltadas apenas para o uso da camisinha masculina, quando deveria estimular o uso também do preservativo feminino e ter continuidade ao longo do ano.

Família

O vereador de Araxá, Marco Antônio Rios, também defendeu uma educação familiar que chamou de mais pró-ativa, para que as famílias assumam também sua responsabilidade pelos problemas que acometem os jovens, sobretudo quanto ao consumo de álcool e outras drogas. "Medidas como o toque de recolher de menores na verdade transferem para a polícia uma responsabilidade da família", entende ele.

O vice-prefeito de Araxá, Miguel Alves Ferreira Júnior, observou que essa é uma causa complexa, que no seu entender também precisa ser abraçada de forma mais ampla por toda a sociedade. Mas também colocou o enfrentamento de questões como gravidez precoce, DSTs e drogas como algo que deve começar em casa.

A deputada Rosângela Reis (PV) registrou a necessidade de que sejam adotadas políticas públicas preventivas, para que o jovem saiba dizer não no momento certo e perceba a importância de valorizar o que se é, e não o que se tem.

A fala de José Danilo Borges Araújo, vice-presidente do Conselho Municipal Anti-drogas de Araxá (Comad), foi no mesmo sentido, alertando para a necessidade de os pais ficarem mais atentos aos filhos, inclusive quanto a mudanças de comportamento que ocorrem com o uso de drogas, mas que muitas vezes não são percebidas em casa, como desinteresse pela escola e pela família e muitas horas de sono por dia.

Juventude

O coordenador especial da Secretaria de Estado de Esportes e Juventude, Roberto Rocha Tross, disse que há hoje um momento de transformação do olhar da sociedade sobre o jovem, deixando para trás o estigma de problema. Segundo ele, não se deve situar o jovem como coitado ou algo enigmático, mas sim como construtor de novas oportunidades reais de inserção e ação.

Ele anunciou que o incentivo do Governo do Estado à criação de conselhos de juventude, e não para a juventude, envolvem o conceito de participação direta e da responsabilização daqueles que saíram da adolescência, mas ainda não entraram na vida adulta, estando entre 15 e 29 anos.

As políticas públicas de juventude do Estado trabalham com essa definição, explicou. Nos conselhos, acrescentou, o objetivo é colocar jovens conversando com jovens, fazendo uso de linguagens próprias e de meios de interação próprios da juventude, como o Orkut e novas tecnologias. "O objetivo é que os jovens busquem novas atitudes e novas formas de participação", frisou. Aos municípios que criarem seus conselhos de juventude, ele anunciou que serão enviados pela Secretaria computadores e impressoras.

Câmeras

O delegado regional da Polícia Civil de Araxá, Heli Andrade, defendeu que todas as escolas sejam monitoradas por câmeras para coibir a ação de traficantes junto a crianças e jovens, e ainda que as políticas públicas contemplem mecanismos para auxiliar a reinserção social de egressos de prisões.

Ele ressaltou, contudo, que o mais importante é investir em educação. "Se os governantes entenderem que educação não é custo e sim investimento, tanto em pessoal como em infraestrutura, teremos uma grande oportunidade de começar a barrar problemas como esses".

Heli Andrade também criticou o Governo Federal por não ter criado outros mecanismos de ocupação para o jovem antes de limitar a oferta de trabalho a adolescentes. Da mesma forma, disse que os conselhos municipais de juventude devem buscar essas oportunidades, para que o jovem possa trabalhar para poder, por exemplo, pagar o cinema com a namorada em vez de procurar dinheiro em outras fontes. Sobre a citação do toque de recolher, disse preferir o termo toque de proteção. "O que não podemos é passar a responsabilidade para os professores, que ficam reféns dos traficantes dentro da escola".

Tiveram ampla participação também no evento as vereadoras de Araxá, Edna de Fátima Alves Castro e de Patrocínio, Marcilene Jacinto Queiroz; o diretor da Escola Estadual Maria de Magalhães, Antônio Ernani de Carvalho; a professora Vânia Célia Ferreira, superintendente regional de Ensino de Uberaba; os prefeitos José Catanant Neto (Campo Florido), Ernani Uemura (São Francisco de Sales); Fausto Ferreira da Silva (Pedrinópolis), Vera Lúcia Guardieiro (Conquista); José Divino Silva (Nova Ponte); Wesley Santi de Melo (Sacramento), dentre outros.



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